10.28.2004

o filme

uma co-autoria entre dani, sérgio e donato:

cena i
(cozinha ambientado nos anos 50. azulejos claros, móveis iluminados pela luz natural que entra duma janela grande. de uma geral superior a câmera concentra-se nos móveis e passa como que analizando e "reconhecendo" o lugar. câmera pára em close num garotinho de cerca de dois anos de idade. câmera afasta para trás fazendo com que se veja que tal garoto está sentado numa badeira de bebê com uma tigela de mingau a sua frente e uma chupeta na boca. o garotinho pega a chupeta da boca e a joga dentro da tigela de mingau)
garoto: veja mamãe como eu sou revoltadinho!
(corte)
(câmera mostra a mãe lavando louça na pia. em cima da pia vê-se pela janela campos verdes, pássaros cantando, céu azul e no fundo um arco-íris. a mãe está vestida à moda dos anos 50. ela não dá atenção aogaroto e assovia "la traviata")
(corte)
(close no garoto. ele com cara de raivoso e mau.)
(corte)
(camera ainda no garoto porém um pouco mais afastado. o garoto com a
mesma cara de mau joga a tigela de mingau no chão e diz:)
garoto: veja mamãe. joguei a tigela de mingau no chão. sou tão revoltadinho...
(close na tigela com o mingau escorrendo pelo chão)
(corte)

cena ii
(um campo inóspito, muitos homens com uniforme do exército de napoleão. câmera no alto, geral. os homens estão andando de um lado para outro. ouve-se uma trombeta.)
(corte)
(homens em linha reta. todos bem compostos e um baixinho - napoleão -
andando de um lado para o outro na frente deles. a camera acompanha -
andando de costas - uma caminha de napoleão mas pára quando este volta para o sentido oposto. quando napoleão começa a falar, a câmera faz um "travelling em formato de curva" - isso existe?? - e se posiciona atrás de napoleão.)
napoleão: pois bem, senhores. estamos na iminência de invadir a rússia.
tenho consciência, naturalmente, que daqui exatamente duas semanas, três dias e dezenove horas chegará o inverno mais rigoroso que a rússia já viu. mas isso não me preocupa. não, meus senhores! isso até vai nos animar pois o calor humano nos salvará. e quanto mais rápido irmos para
lá e mais rápido arrasarmos com tudo, mais rápido voltaremos para nosso grande franco-lar. disse calor humano? pois bem, mantendo-nos unidos, conseguiremos o calor suficiente para que ninguém morra de hipotermina. agora, meus senhores, escolham seu par e comece a interagir com ele até chegar o momento da batalha. (imagino esta fala sendo dita na mesta intonação que enéas - eterno candidato a presidência desse nosso país - durante as campanhas eleitorais)
(corte)
(da terceira fileira sai um rapaz bem alto e magro e caminha em direção
à camera levantando o dedo indicador. corte. esse rapaz olhando
exatamente para baixo e vendo somente a cabeça de napoleão e este com olhos levantados e ombos contraídos. o rapaz começa a berrar na cabeça de napoleão)
rapaz: na-na-ni-na-não, seu napoleão. o senhor acha que eu vou virar
bicha só por causa desse friozinho? o senhor não sabe com quem está
lidando! não sabe...
(este rapaz vira as costas e sai resmungando em direção a sua barraca.
travelling. dá-se para ver que há um capacho na entrada da barraca e no
limite da porta, evidentemente feita de pano, está adornado com rendas
artesanais.)
[sim, o diretor terá que se virar para fazer com que os espectadores
pensem que este rapaz era o garoto da cena anterior - o problema será do diretor]

oh sim, vamos pular para a cena final.

cena final
(rua augusta, sábado cerca das 22 horas. a temperatura está amena, por
volta dos 20 graus. na augusta anda um homem por volta de 60 anos na
direção paulista - centro. este homem está calçando sandalias avaianas,
calça de sarja e uma camiseta de são tomé das letras. uma barba enorme e grisalha, cabelos também grisalhos e na altura dos ombos. chapeu de palha na cabeça e ele segura uma sacola de feira cheia de insensos.)
(close no rosto do homem, este cantarola uma música que mais tarde
saberá que é "say hello" de drugstore. "o contrário de zoom" e a camera
vai para um plano mais aberto. o homem caminha tranquilamente e
concomitante à canção que ele canta começa a tocar "say hello" de
drugstore. a rua está lotada. trânsito de carro e pessoas. as pessoas
são as típicas pessoas que frequentam a rua augusta.)

(sobe os créditos)

"say hello" by drugstore
To all the crazy people who are walking in the rain
To every single young girl who is waiting for a man
And to every desperado who is looking for a friend
To all the lonely strangers who think life is pretty bad
To all the funny people who are really rather sad
And to everyone who likes to have a lot of fun in bed

I say hello
To all the junkies
The sinners and the creeps
I say hello
To all the people in this place
I say hello
To all the drug-heads
The prostitutes and freaks
I say hello
To all the people In the world!

To all the foreign people who are always in a fight
To all the clumsy lovers who can never get it right
And to all the ones I know wholl never get to see the light
To everyone out there who likes to hang out with the stars
To every man in black and anyone who plays guitars
And to all of you who know that there is human life on Mars

I say hello
To all the junkies
The sinners and the creeps
I say hello
To all the people in this place
I say hello
To all the drug-heads
The prostitutes and freaks
I say hello
To all the people In the world!

3 Para que me servem exércitos de canções
e o fascínio da poética sentimental ?

At 28 de outubro de 2004 23:53, Blogger patrocinado por Maison Michê de La Photographie declarou...

dani! estes últimos posts estão ótimos! parece que o rio de janeiro te fez muito bem! beijos,

 
At 29 de outubro de 2004 08:05, Anonymous Anônimo declarou...

hahahahaha

-dani

 
At 30 de outubro de 2004 22:35, Blogger Sergi-Domenech Ferrer i Vernau declarou...

Ótimo! Excelente! Quando vamos filmar?

 

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